Zilda Arns morre no terremoto do Haiti
Em nota oficial, CONANDA manifesta seu pesar pelos mortos na tragédia e homenageia a sanitarista
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Nota Oficial do CONANDA: "O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) vem a público lamentar a morte de vários(as) brasileiros(as) e de todas as pessoas que perderam suas vidas no trágico terremoto ocorrido no Haiti dia 12 bem como manifestar solidariedade ao povo haitiano, aos voluntários da Pastoral da Criança e aos familiares das pessoas que tiveram suas vidas ceifadas pela catástrofe. Sentimos, em particular, pelo falecimento da médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, relevante prestadora de serviços em prol da defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes no Brasil. Zilda Arns encontrava-se em missão humanitária, dedicação de toda sua vida, no Haiti e foi uma das brasileiras que morreu vítima do terremoto de 7 graus de magnitude que atingiu tragicamente a população daquele já tão castigado pais. O Conanda rende homenagem a ela, lembrando sua participação ativa na construção do movimento social em defesa dos direitos da criança e do adolescente no Brasil. Em 1983, fundou a Pastoral da Criança, organismo de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Permaneceu à frente da Pastoral nos últimos 25 anos e, como sua representante, participou deste Conselho em meados das década de 1990. De um modo geral, contribuiu para o reconhecimento de crianças e adolescentes, prioridades de seu trabalho cotidiano, em sua condição de sujeito de direitos humanos. Em sua trajetória de vida deixou uma longa lista de serviços prestados à nação brasileira, empenhada sobretudo no combate à mortalidade infantil, à desnutrição e à violência familiar. Defendia a educação como forma importante de se enfrentar a maior parte das doenças de fácil prevenção e a vulnerabilidade das crianças em um contexto de desigualdades. Sua atuação também foi marcada pela construção e desenvolvimento de uma estratégia humanitária mediada pelo espírito de solidariedade com que tratava as famílias mais pobres. Por seu trabalho chegou a ser indicada ao prêmio Nobel da Paz mais de uma vez. Zilda Arns foi uma mulher guerreira que certamente deixará saudades no coração de todos aqueles que de forma direta ou indireta compartilharam com ela a construção de um país mais justo e igualitário. Sua morte não cessará a luta por direitos humanos de crianças e adolescentes em nosso país: a bandeira hoje pertence a todos brasileiros engajados em assumir um compromisso suprapartidário e sem fronteiras, cujo valor maior é promover a justiça, a dignidade e a paz para todos."
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Repercussão na mídia
> da ANDI (Agencia Nacional dos Direitos da Infância), organização integrante da Rede ANDI Brasil
A morte de Zilda foi noticiada em todos os principais jornais do país em 14/jan. Destacou-se sobretudo seu trabalho no combate à mortalidade infantil, que deixou o Brasil "bem próximo de alcançar pelo menos um dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio", o de diminuir em dois terços a taxa de morte de crianças até cinco anos até 2015. Nascida em Santa Catarina, Zilda fundou e coordenou a Pastoral da Criança da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) até 2008, quando assumiu a direção da Pastoral Internacional da Criança. Fundou e esteve também à frente da Pastoral da Pessoa Idosa.
Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Pastoral da Criança tem 260 mil voluntários em todo o mundo, espalhados em 20 países. No Brasil, esses voluntários acompanham o desenvolvimento de 1,8 milhão de crianças até seis anos. Segundo o Ministério da Saúde, a parceria com a entidade beneficiou 1,9 milhão de gestantes e crianças menores de seis anos, em 4.063 municípios brasileiros, nos últimos dois anos. A taxa de mortalidade caiu de 47,1 óbitos por mil nascidos vivos em 1990 para 19,3 mortes, em 2007-59,7% a menos. Em 2001, por exemplo, a Pastoral registrou taxa de mortalidade infantil inferior a 13 mortes por mil nascidos vivos. Fora do programa, a média nacional de mortalidade infantil é de 34,6 óbitos por mil nascidos.
Prêmios – O trabalho humanitário da pediatra, sanitarista e fundadora da Pastoral da Criança era reconhecido internacionalmente. Ela ganhou diversos prêmios por sua atuação na área social, seja à frente da entidade ou de outros organismos do qual participou. Entre os prêmios internacionais, Zilda foi declarada em 2002 Heroína da Saúde Pública das Américas, título concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
Leia mais:
- nota de falecimento da Pastoral da Criança e informes atualizados: http://www.pastoraldacrianca.org.br/
- último discurso: http://www.pastoraldacrianca.org.br/discurso_haiti.pdf

