Visão geral
A realização de dezenas de eventos pelo Brasil e por todo o mundo que discutem o desenvolvimento mundial sustentável mostra um cenário que tem mobilizado toda a sociedade: a questão socioambiental. Ela não é citada especificamente no Estatuto da Criança e do Adolescente, mas a temática é transversal a praticamente todas as outras que envolvem a infância e a adolescência, como o direito à saúde, por exemplo, já que o cuidado e a conservação do planeta, se levados a cabo, possibilitam o desenvolvimento pleno e saudável desses seres humanos em formação.
Se antes o debate sobre ecossistemas e sustentabilidade eram destaques em pequenos grupos sociais, atualmente se estendeu a toda a população, especialmente após as décadas de 1970 e 1980 quando passou a ser bandeira de atores sociais diversos. Até bem pouco tempo, falar sobre a temática socioambiental centrava-se, por exemplo, em tratar de queimadas, derramamento de óleo e cuidado com as águas. Hoje entende-se se entende que a sustentabilidade socioambiental perpassa o dia a dia de toda a população para além do olhar sobre a natureza. Dessa lista de problemas fazem parte questões sociais como ocupação desordenada e desumana de espaços urbanos, doenças, violência, além dos desequilíbrios ambientais em todo o globo, como furacões, extinção de animais e degelo de calotas polares.
Consumismo e sustentabilidade
Atualmente o Brasil é o campeão de reciclagem de latas de alumínio, em que quase 100% deste material consumido é reaproveitado. A iniciativa em trocar sacolas plásticas por retornáveis em muitos estados brasileiros também é uma prática que acabou mudando conceitos e hábitos da população. Mas como pensar socioambientalmente não se reduz a poucas (ou pequenas e/ou individuais?) atitudes é preciso repensar todo o sistema, especialmente o de consumo, em que estamos inseridos.
Dados indicam que a criança brasileira passa quase cinco horas por dia em frente à televisão. Número alto suficiente para deixar o Brasil à frente de qualquer outro país. E como a maior parte do tempo é gasto em frente a TV, este é o meio que mais influencia os pequenos na hora de suas escolhas. Os dados revelam não apenas a influência da mídia sobre os pequenos, e destes sobre seus pais, mas também o quanto a cultura do “ter” afasta o consumo consciente e aponta para os desafios ambientais que estas crianças terão que enfrentar nos próximos anos.
Na tentativa de prever um cenário diferente, há grupos que discutem e tentam modificar o olhar da criança frente à sedução do consumismo. O Instituto Alana, por exemplo, desenvolve um projeto que trata exclusivamente sobre o consumo entre os pequenos. A Carta da Terra, iniciada durante a ECO92 e finalizada anos depois, ganhou uma versão específica para crianças durante o ForumZINHO Social Mundial, em 2003, através do trabalho do Núcleo de Amigos da Infância e da Adolescência (Naia).
Participação infantoadolescente
Mas crianças, adolescentes e jovens também tem desenvolvido ações próprias relacionadas às questões ambientais. Cada vez mais grupos de temática socioambiental tem dedicado aos mais jovens lugares de destaque na discussão ambiental. É o caso da Youth Blast, evento que precedeu a Rio+20, e de onde jovens e adolescentes discutiram propostas para serem levadas ao evento principal.
A participação de crianças e adolescentes nas discussões sobre o meio ambiente se mostram cada vez mais efetivas. O acesso às informações e a organização de grupos específicos trazem um novo cenário quando se trata de desenvolvimento sustentável. Os temas tratados desde a infância, em especial, no ambiente escolar, ganham um novo olhar sobre estas questões e assim termos como consumo consciente, reaproveitamento de recursos e desenvolvimento rural sustentável passa a fazer parte do discurso de crianças e adolescentes de todas as idades.
O uso constante desses e outros termos na mídia e em espaços como o da educação, reflete o momento peculiar sobre a conservação do meio ambiente em diversos setores. São conferências locais ou tratados internacionais que, por vezes, culminam em determinações rígidas ou não, como o controle na emissão de carbono, a adesão a áreas de proteção e conservação permanente e o tratamento de efluentes. A gestão participativa acaba por possibilitar a participação e o protagonismo juvenil, já que meninas e meninos tomam a frente de discussões, como as que acontecem na Conferência Nacional Infantojuvenil Pelo Meio Ambiente. A última edição aconteceu em 2009. Na fase estadual, o evento acontece em escolas de todo o Brasil de onde saem delegados de 11 e 14 anos que levam as demandas prioritárias para o encontro nacional e posteriormente para a Conferência Nacional. Por meio da participação de adolescentes e crianças nas articulações e atividades que visam preservar a vida e o meio ambiente, meninas e meninos exercem seus direitos e mostram suas prioridades.













